Deixe-me dizer algo sobre o Duolingo: ele não está interessado em você aprender um novo idioma; ele está interessado em você voltar ao aplicativo. Nos branding kits, você os verá proclamando-se como o app mais popular de aprendizado. Mas, para mim, Duolingo deveria estar na categoria "Jogos" ao invés de “Educação”.

Sendo assim, por que eu estou há 70 dias sem falhar nas aulas de holandês e consegui chegar na liga mais alta do Duolingo? Porque é a única das ferramentas de aprendizado que conseguiu me puxar de volta todos os dias.

Duolingo: atualmente estou em um streak de 70 dias, e consegui chegar a liga diamante

Eu invejo o Duolingo, na verdade. Eles construíram não apenas uma forte base de fãs, mas também fazem experimentos a todo momento, possuem um time de marketing muito eficiente e um plano pago muito acessível. Mais que isso, o Duolingo consegue me atingir na minha maior fraqueza: gamificação.

Resumidamente, gamificação é a estratégia de aplicar mecânicas de jogos ao seu produto, como colaboração, rankings, pontuações, recompensas, dentre outras coisas que aumentam o engajamento e a motivação, oferecendo uma abordagem mais lúdica de aprendizado. Em alguns aplicativos, essa experiência é forçada, mas no Duolingo ela se torna natural, quase imperceptível.

Mas, o Duolingo falha em ser um aplicativo de educação.

Muitos dos exercícios se tornam esforços de baixa cognição, quase beirando a estupidez. São exercícios de arrastar caixinhas, autocompletar ou até traduzir algo do holandês para sua língua nativa (deveria ser exclusivamente o contrário). Isso não é aprender.

Memorização e ludicidade são ferramentas poderosas para pedagogia. Mas, em adultos, precisamos de andragogia: imersividade, autonomia e, principalmente, aplicação prática. As mecânicas de gamificação podem ofuscar esse foco, fazendo-nos priorizar a dopamina por completar uma lição, ao invés do progresso no aprendizado da língua.

Mas, tal qual em um relacionamento tóxico, eu estou tentando ver o lado bom do Duolingo.

Duolingo: "A vida da sua família depende que você faça essa aula"

Ele se tornou meu lembrete diário do meu objetivo de aprender holandês, e ele consegue ser bem articulado nesse reforço. Todo dia de manhã, separo uma hora para estudar, onde faço uma lição no Duolingo, mais algumas no Airlearn (querem que eu faça um post sobre ele?), e assisto alguns vídeos no Youtube para treinar meu listening, que atualmente é minha maior fraqueza no idioma.

E, como a vítima de um relacionamento tóxico, me pego às vezes achando que eu sou o errado. Ora, se estou usando apenas o Duolingo para aprender e eu tenho noção de seus problemas, continuar a utilizar apenas ele é minha culpa. Então, busco sempre mais de uma forma de aprendizado, focando nos principais que utilizaria no dia a dia. Por exemplo, utilizo muito pouco o writing em holandês. Mas já o listening e o speaking eu tenho possibilidades de aplicações diárias. O reading fica em segundo lugar, consigo me virar muito bem analisando o contexto.

No fim, o problema não é o Duolingo ou outro app de idiomas, o problema é não entender onde ele se encaixa na sua jornada de aprendizado. Seja como um despertador diário da sua aula ou um vício dopaminérgico, nunca dependa de uma única ferramenta de estudo, senão tudo que você vai ter será um martelo, e tudo então será um prego.

Doei!

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