Certa vez li um artigo que, após os 18 anos, tornava-se muito difícil aprender um novo idioma, especialmente ter fluência nele. Dizia que a idade "perfeita" para aprender é até os 10, e entre os 12 e 17 essa elasticidade do cérebro para aprendizado e fluência ainda se mantinha, mas era rapidamente perdida.
Hoje me lembrei desse artigo novamente, mas pelo motivo errado.
Em setembro de 2025 eu comecei a morar em Amsterdam e imediatamente me apaixonei não só pelo país, mas pelas pessoas que moram ali. Embora os holandeses não sejam tão calorosos como brasileiros ou nossos vizinhos na América do Sul, isso não quer dizer que eles sejam arrogantes.
Muito pelo contrário. Quero dizer... mais ou menos... eu explico.

The Tower of Babel by Pieter Bruegel the Elder
O que não te falam sobre os holandeses
Eu imaginava que os holandeses seriam muito parecidos com os alemães ou com os franceses: um povo frio e direto que, em casos extremos, não gosta nem que você fale o idioma deles caso não seja um nativo. Mas o que encontrei em minhas caminhadas e viagens pelo país foi algo totalmente diferente: todos eram muito gentis, sem serem invasivos ou expansivos, e sempre dispostos a ajudar.
Essa última parte me impressionou. Sim, o holandês é um povo direto, o que pra muitos pode soar como arrogância (isso é papo para outro post), mas, no dia a dia, as pessoas realmente queriam me ajudar. Quando percebiam que não falávamos holandês, trocavam rapidamente para o inglês. Quando minha esposa tentava se comunicar, as pessoas falavam mais pausadamente, soletravam ou até escreviam no Google Translate para ajudá-la. Até mesmo na prefeitura as pessoas que trabalhavam lá queriam resolver o seu problema. Sei que vou soar vira-lata dizendo isso, mas não consigo imaginar o mesmo acontecendo em um cartório no Brasil.
Esse episódio me fez lembrar de uma citação atribuída a Nelson Mandela, que dizia algo como: "Se você fala com um homem em uma língua que ele entende, isso vai para sua cabeça; se você fala com ele em sua língua nativa, isso vai para seu coração".
Foi quando eu disse para minha esposa: eu quero aprender a falar a língua desse povo
O medo de falhar
Quando abri a primeira lição de holandês, me lembrei do artigo que falei no início do post. As palavras se perdiam muito facilmente, a estrutura gramatical mudava um pouco, e tinha a questão da pronúncia que era um desafio por si só. Com 34 anos de idade, eu imaginei estar velho demais para aprender.
Sou fluente no inglês, mas as condições que tive para aprender o idioma eram impossíveis de replicar agora. Eu nunca tenha feito cursos de idioma, mas minha alta exposição cedo ao idioma americano através de música, filmes legendados e, principalmente, video games aceleraram muito meu processo de aprendizado. Somado a uma mente jovem, isso me deu uma vantagem muito grande.
Mas, como disse Jensen Huang: "O meu medo de falhar me move mais do que meu desejo de vencer". Sendo assim, como aprender?
Para quem tem medo de falhar, não há nada melhor do que aprender em público
Em 2016, comecei a me especializar na área de ciência de dados e aprendizado de máquina, dois campos totalmente novos para mim até então. Viajando nove anos para o futuro, fundei a maior comunidade de profissionais de dados no Brasil e sou o cientista líder de um time de inteligência artificial da Hotmart. Mas tudo isso começou com um blog. Será que eu conseguiria replicar isso?
Sempre me interessei por técnicas de aprendizado, e uma das mais interessantes é a Pirâmide de Aprendizado. Em resumo, ela mostra que formas ativas de aprendizado são melhores do que formas passivas (e.g., dar uma aula é melhor que assistir a uma palestra). Uma dessas técnicas ativas é "Ensinar os outros" e "Aplicação Prática".
Assim como fiz ao aprender ciência de dados, farei ao aprender o holandês. Esse blog servirá para documentar minha jornada de aprendizado e compartilharei tudo nessas páginas.
Daí sim vamos descobrir se dá para ensinar truque novo pra macaco velho.
Doei! (Tchau!)
